Toy Story 5: Quando o infinito encontra o Wi-Fi

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colunista/ Marcele Santos

Toy Story 5 traz um debate extremamente atual: o vício das crianças em telas. Sob a direção de Andrew Stanton, o filme foca em Jessie como a nova líder do quarto de Bonnie, que agora enfrenta a “ameaça” de um tablet de alta tecnologia chamada Lilypad.

O foco do filme está no dilema moderno dos “iPads”. Quando os pais de Bonnie compram o tablet Lilypad (dublado por Greta Lee) para ajudá-la a fazer amigos, a garotinha de 8 anos instantaneamente se torna uma “zumbi das telas”. O roteiro capta com precisão o pânico dos brinquedos ao verem a imaginação da criança ser deixada de lado para um algoritmo, trazendo uma camada de terror psicológico que espelha a realidade de muitos pais atuais.

Com Woody vivendo uma vida mais isolada e “aposentada”, Jessie (Joan Cusack) assume o papel de xerife e brilha como a verdadeira protagonista. Traumatizada por seu histórico de abandono (relembrado desde Toy Story 2), ela lidera a resistência contra a onda digital. É os traumas e a vulnerabilidade de Jessie que dão ao filme o peso emocional necessário, lutando não apenas para ser lembrada, mas para salvar Bonnie do isolamento social.

1 é bom mas 2 é demais?

Para deixar o público mais intrigado, o filme introduz uma subtrama focada em Buzz Lightyears. Envolvendo um esquadrão de bonecos Buzz atualizados que naufragaram, eles vem com o mesmo pensamento do Buzz de 1995, achar o comando estelar e voltar para o seu planeta.

Trás um certo conforto ver Woody e Buzz trabalhando juntos novamente. Longe de ser só uma aparição para agradar aos fãs, a dinâmica resgata a energia de Toy Story com os dois lado a lado, focados em ajudar outros brinquedos e salvar suas crianças. A trilha sonora deixa tudo ainda mais vivo, de um lado temos o clássico de Randy Newman trazendo de volta o famoso “Amigo estou aqui” e a dolorosa “When She Loves Me” de Sarah McLachlan, que resume todo trauma de Jessie. Do outro lado o filme surpreende com a participação de Taylor Swift com sua música “I Knew It, I Knew You” feita especialmente para o filme. O contraste entre as trilhas mostra o amadurecimento não só dos personagens, mas também dos fãs que cresceram vendo a franquia.

Toy Story 5 soube muito bem falar sobre o tema sem vilanizar de fato algum personagem. É uma sequência madura, divertida, que também vai servir para dar um alerta a muitos pais e que, acima de tudo, dá vontade de desligar o celular e pegar nossos brinquedos antigos de volta.

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